🌼 Mundo da Palavra
Poemas para corações em reconstrução
Para você que chegou até aqui: Estes poemas são um abraço em forma de palavras. Foram escritos para todas que já confundiram amor com dor, e que agora aprendem, dia após dia, a reconhecer o próprio valor.
As Cicatrizes que Me Ensinaram
não são defeitos.
São fronteiras desenhadas
aos poucos,
ensinando a pele
onde não deve mais deixar entrar
mãos que confundem carícia
com posse.
Hoje vejo:
cada linha no mapa do meu corpo
é uma sentinela
que aprendeu a dizer “não”
em silêncio.
O Silêncio que Me Salvou
que algumas palavras
merecem morrer na garganta.
Aprendi a guardar o que é sagrado
nos espaços entre os dentes
onde seu sarcasmo
não alcançava.
E descobri, depois,
que meu silêncio não era fraqueza:
era o portão trancado
de um jardim
que você nunca mereceu conhecer.
O Espelho que Parou de Mentir
que quase esqueci
qual era meu rosto verdadeiro.
Você colecionava espelhos tortos
e me obrigava a me ver neles:
sempre pequena demais,
sempre errada.
Até o dia em que encontrei
um pedaço de vidro intacto
no fundo de mim
e reconheci, pela primeira vez,
a mulher que você tanto temia
que eu me tornasse.
A Saída que Parecia Porta Errada
o que era apenas medo de ficar sozinha.
Chamei de paixão
o que era adrenalina de sobrevivência.
E quando saí,
parecia porta errada:
tão leve a maçaneta,
tão silencioso o fechar.
Só entendi depois
que relacionamentos verdadeiros
não têm som de guerra
nem gosto de lágrima engolida.
Os Ossos que Relembram
o peso das suas palavras.
Às vezes, em noites quietas,
sinto o eco do que você disse
ressoando nas costelas.
Mas aprendi:
o corpo guarda memórias
não para nos torturar,
mas para nos alertar.
Agora, quando sinto o calafrio,
não é trauma:
é o meu próprio esqueleto
sussurrando:
“lembra do que sobrevivemos,
lembra do que não voltaremos”.