🌸 Renascimento Suave
Poemas sobre encontrar a própria voz depois do silêncio imposto
Estes versos são para os dias em que a cura parece devagar demais. Lembre-se: renascer não é voltar a ser quem era antes, mas tornar-se quem sempre deveria ter sido permitida ser.
O Fôlego que Me Sobrou
nos intervalos entre suas críticas.Guardava ar nos pulmões
como quem esconde provisões
para uma guerra invisível.
Hoje respiro inteira:
cada inspiração não é mais estratégia,
é apenas vida
reclamando seu espaço
no meu próprio peito.
O Calendário das Minúcias
os dias em que você era gentil:
eram tão raros
que pareciam feriados.Anotava migalhas de afeto
como quem cataloga tesouros
em meio a escombros.
Quando parei de contar,
descobri que o tempo
não precisa ser medido
por migalhas recebidas.
A Gramática do Adeus
onde “te amo” significava “me obedeça”
e “sinto sua falta” queria dizer
“estou entediado”.Levei anos para desaprender
essa sintaxe doente.
Agora estudo novas palavras:
“respeito” tem uma sonoridade doce,
“liberdade” é um verbo conjugado
só no presente.
A Arquitetura do Vazio
a casa que construímos sobre areia.Cada quarto era uma memória
de discussões abafadas,
cada parede guardava o eco
de promessas quebradas.
No terreno livre, plantei um jardim.
Agora, onde havia cimento rachado,
crescem flores que não precisam
de sua permissão para desabrochar.
O Almanaque do Corpo
que minha mente não queria ler:As costas tensionadas registravam
o peso das suas expectativas.
O estômago em nós contava
as verdades que engoli.
Agora escuto esses registros
não como sintomas,
mas como cartas de amor
de um eu mais antigo
tentando me proteger.
Bússola Desimantada
minha direção era você:
seu humor ditava o clima,
sua aprovação era o norte.Quando me afastei,
a bússola girou loucamente,
perdida sem seu polo magnético.
Aos poucos entendi:
não estava desorientada.
Estava apenas descobrindo
que o verdadeiro norte
morava dentro de mim
o tempo todo.