Poemas Inspirar
“Sem plágio, apenas alma”
I
Teu corpo é meu soneto preferido.
Quatorze versos que começo em tua boca
e termino onde a pele é mais funda.
Rimo desejo com beijo,
fome com nome,
e ainda assim não encontro palavra
que caiba inteira dentro de ti.
Quatorze versos que começo em tua boca
e termino onde a pele é mais funda.
Rimo desejo com beijo,
fome com nome,
e ainda assim não encontro palavra
que caiba inteira dentro de ti.
II
Os astros mentem se disserem
que já viram amor maior.
Teus olhos têm luz própria
e ofuscam qualquer constelação.
Deixa eu ser teu céu
pra você brilhar só em mim.
que já viram amor maior.
Teus olhos têm luz própria
e ofuscam qualquer constelação.
Deixa eu ser teu céu
pra você brilhar só em mim.
III
Dize que me queres
com essa boca que desconcerta o mundo.
Dize com a voz rouca
que o silêncio não sabe dizer.
Porque teu sim vale mais
que todos os juramentos que o vento já levou.
com essa boca que desconcerta o mundo.
Dize com a voz rouca
que o silêncio não sabe dizer.
Porque teu sim vale mais
que todos os juramentos que o vento já levou.
IV
Teu corpo é o palco
onde meu desejo representa.
Cada gesto teu é ato,
cada olhar, cena.
E eu, espectador rendido,
aplaudo com a boca,
com a mão,
com a alma inteira.
onde meu desejo representa.
Cada gesto teu é ato,
cada olhar, cena.
E eu, espectador rendido,
aplaudo com a boca,
com a mão,
com a alma inteira.
V
Comparar-te a um dia de verão?
É pouco.
És mais quente, mais certo, mais eterno.
O verão passa, murcha, morre.
Teu calor em mim
é fogo que o tempo não apaga.
É pouco.
És mais quente, mais certo, mais eterno.
O verão passa, murcha, morre.
Teu calor em mim
é fogo que o tempo não apaga.
VI
Enquanto houver teu corpo junto ao meu,
enquanto tua mão encontrar a minha no escuro,
enquanto teu beijo for meu endereço,
o mundo pode desabar lá fora.
Dentro de nós, ainda é eternidade.
enquanto tua mão encontrar a minha no escuro,
enquanto teu beijo for meu endereço,
o mundo pode desabar lá fora.
Dentro de nós, ainda é eternidade.
VII
Tua boca é minha biblioteca.
Leio teus silêncios,
decifro teus suspiros,
memorizo teus sabores.
E cada vez que te provo,
descubro um novo poema
escrito só pra mim.
Leio teus silêncios,
decifro teus suspiros,
memorizo teus sabores.
E cada vez que te provo,
descubro um novo poema
escrito só pra mim.
VIII
Já busquei no céu estrelas
que brilhassem como teus olhos.
Já pedi ao vento
que soprasse teu cheiro.
Mas o céu não tem tua luz
e o vento não sabe guardar segredo.
Só teu corpo é verdade.
que brilhassem como teus olhos.
Já pedi ao vento
que soprasse teu cheiro.
Mas o céu não tem tua luz
e o vento não sabe guardar segredo.
Só teu corpo é verdade.
IX
Teu nome na minha boca
tem gosto de juramento.
Prometo não te esquecer
nem quando o tempo
tiver cinza demais
pra lembrar cor.
tem gosto de juramento.
Prometo não te esquecer
nem quando o tempo
tiver cinza demais
pra lembrar cor.
X
Dorme em mim
que sou teu travesseiro.
Sonha comigo
que sou teu sonho.
Acorda em mim
que sou teu começo.
E se o dia chegar,
que ele nos encontre
ainda enlaçados
como dois versos
que o poeta não teve coragem
de separar.
que sou teu travesseiro.
Sonha comigo
que sou teu sonho.
Acorda em mim
que sou teu começo.
E se o dia chegar,
que ele nos encontre
ainda enlaçados
como dois versos
que o poeta não teve coragem
de separar.
XI
Teus olhos falam
o que tua boca cala.
Neles leio promessas
que o medo não deixa cumprir.
Mas ainda assim,
me afogo nesse azul
como quem escolhe o naufrágio.
o que tua boca cala.
Neles leio promessas
que o medo não deixa cumprir.
Mas ainda assim,
me afogo nesse azul
como quem escolhe o naufrágio.
XII
Meu coração é teu teatro.
Entra sem bater.
Representa teu amor
no palco do meu peito.
E quando o espetáculo acabar,
fica.
Que a plateia já foi
mas eu continuo aqui,
de pé,
só pra te ver.
Entra sem bater.
Representa teu amor
no palco do meu peito.
E quando o espetáculo acabar,
fica.
Que a plateia já foi
mas eu continuo aqui,
de pé,
só pra te ver.
XIII
Se meu corpo for teu túmulo,
morre em mim devagar.
Enterra teu desejo
na minha pele,
planta teu nome
no meu silêncio.
E se for pra acabar,
que seja assim:
misturado,
eterno,
teu.
morre em mim devagar.
Enterra teu desejo
na minha pele,
planta teu nome
no meu silêncio.
E se for pra acabar,
que seja assim:
misturado,
eterno,
teu.
XIV
Te quero como a noite quer o dia:
sabendo que não pode ter,
mas desejando ainda assim.
Te quero como o mar quer a lua:
puxando pra dentro,
enchendo de espuma,
enlouquecendo de vontade.
sabendo que não pode ter,
mas desejando ainda assim.
Te quero como o mar quer a lua:
puxando pra dentro,
enchendo de espuma,
enlouquecendo de vontade.
XV
Teu beijo é meu palco.
Nele represento
o melhor de mim.
Nele esqueço
o pior do mundo.
Nele sou ator e plateia,
fome e comida,
começo e fim.
Nele represento
o melhor de mim.
Nele esqueço
o pior do mundo.
Nele sou ator e plateia,
fome e comida,
começo e fim.
XVI
Não juro por lua
que é instável.
Nem por estrela
que pode apagar.
Juro por tua boca
que é a única verdade
que meu corpo conhece.
que é instável.
Nem por estrela
que pode apagar.
Juro por tua boca
que é a única verdade
que meu corpo conhece.
XVII
Teu corpo em mim
é poema completo.
Não falta rima,
não sobra silêncio.
Só esse barulho bom
de dois versos
se encontrando
no meio da página.
é poema completo.
Não falta rima,
não sobra silêncio.
Só esse barulho bom
de dois versos
se encontrando
no meio da página.
XVIII
Teus olhos são dois sóis
queimando meu deserto.
Tua boca é água
que me afoga e me salva.
Entre arder e morrer,
fico em ti.
Sempre em ti.
queimando meu deserto.
Tua boca é água
que me afoga e me salva.
Entre arder e morrer,
fico em ti.
Sempre em ti.
XIX
Minha alma escreve teu nome
na parede do silêncio.
Meu corpo guarda teu cheiro
no armário da memória.
E tudo em mim insiste
em ser tua casa,
mesmo sem você morar.
na parede do silêncio.
Meu corpo guarda teu cheiro
no armário da memória.
E tudo em mim insiste
em ser tua casa,
mesmo sem você morar.
XX
Se um dia esqueceres de mim,
que teu corpo lembre.
Que tua pele guarde
o mapa dos meus dedos.
Que tua boca preserve
o gosto do meu beijo.
Porque amor que é verdade
não cabe no esquecimento.
Morre no corpo,
mas vive no tempo.
que teu corpo lembre.
Que tua pele guarde
o mapa dos meus dedos.
Que tua boca preserve
o gosto do meu beijo.
Porque amor que é verdade
não cabe no esquecimento.
Morre no corpo,
mas vive no tempo.
XXI
Tua ausência tem teu formato.
Deita na minha cama,
ocupa meu silêncio,
me abraça sem querer.
E eu, bobo,
agradeço.
Deita na minha cama,
ocupa meu silêncio,
me abraça sem querer.
E eu, bobo,
agradeço.
XXII
Teu riso é música
que toca sem avisar.
Minha alma dança
mesmo sem saber os passos.
que toca sem avisar.
Minha alma dança
mesmo sem saber os passos.
XXIII
Teu cheiro ainda mora
no meu travesseiro.
Não pago aluguel.
É teu de graça.
Fica.
no meu travesseiro.
Não pago aluguel.
É teu de graça.
Fica.
XXIV
Meu corpo te conhece
de outras vidas.
Teus dedos em mim
tocam lembranças
que nem aconteceram ainda.
de outras vidas.
Teus dedos em mim
tocam lembranças
que nem aconteceram ainda.
XXV
Teu beijo tem gosto
de coisa proibida.
E eu,
que nunca fui de pecados,
virei santo só pra te provar.
de coisa proibida.
E eu,
que nunca fui de pecados,
virei santo só pra te provar.
XXVI
Teu nome no meu ouvido
é som que desce,
esquenta,
arde.
Teu nome na minha boca
é prece.
é som que desce,
esquenta,
arde.
Teu nome na minha boca
é prece.
XXVII
Te quero de todos os jeitos:
de dia, de noite,
de longe, de perto,
de carne, de sonho,
de posse, de falta.
Te quero.
Simples assim.
Complicado desse tanto.
de dia, de noite,
de longe, de perto,
de carne, de sonho,
de posse, de falta.
Te quero.
Simples assim.
Complicado desse tanto.
XXVIII
Tua mão na minha
é mapa.
Teus dedos desenham
caminhos que meu corpo
decora sem querer esquecer.
é mapa.
Teus dedos desenham
caminhos que meu corpo
decora sem querer esquecer.
XXIX
Teu olhar me pergunta
coisas que minha boca
não sabe responder.
Meu corpo responde.
Meu corpo sempre responde.
coisas que minha boca
não sabe responder.
Meu corpo responde.
Meu corpo sempre responde.
XXX
Depois de ti,
todos os outros
são rascunho.
Tu és o poema
que não precisei reescrever.
todos os outros
são rascunho.
Tu és o poema
que não precisei reescrever.