Entre Muros e Afetos Perdidos

Entre Muros e Afetos Perdidos

Entre o Silêncio e o Muro

Te amei no tempo errado, quando tua voz erguia muros e chamava de ordem o que era só medo.

Eu, que só queria janelas, aprendi a respirar pelas frestas enquanto teu mundo endurecia como pedra antiga.

Hoje caminho leve, porque o amor que te dei não cabia em fronteiras tão estreitas. E o que sobrou de nós foi só o eco de um comando que nunca deveria ter sido lei no meu peito.

Cartografia de um Afeto Perdido

Tracei mapas no teu rosto, mas tu preferias bandeiras. Eu falava de horizontes, tu falavas de território.

O amor virou fronteira, e eu, estrangeiro na tua rigidez, fui exilado do que sonhei.

Hoje guardo apenas a lembrança de como teu toque era firme demais para quem só queria abrigo.

Não te culpo — há quem confunda controle com cuidado. Mas o meu coração não nasceu para ser território ocupado.

Manifesto de Quem Desistiu

Não te odeio. Só deixei de caber no teu mundo de regras invisíveis e afetos condicionados.

Teu amor tinha senha, tinha vigilância, tinha fronteira.

O meu era só vento. E vento não negocia com grades.

Parti quando percebi que amar não é obedecer, e que liberdade não deveria ser um ato de coragem dentro de um relacionamento.

O Peso do Teu Jeito de Amar

Teu carinho vinha com manual, com normas, com advertências.

Eu tentava seguir, mas cada passo era um tribunal.

No fim, percebi: não era amor, era disciplina.

E eu, que sempre fui feito de água, não sobrevivi ao teu concreto.

Hoje floresço longe, onde ninguém confunde autoridade com afeto.

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